Quando começam a esgotar as opções de "blockbusters" em cartaz é que você é levado às grandes pérolas. Um pouco fora dos holofotes, Ginger e Rosa chega discreto mas deixa sua marca. Duas amigas, em um importante momento da história mundial, crescem juntas descobrindo os prazeres, vícios e principalmente os problemas da vida. Um filme que poderia muito bem chamar apenas "Ginger", pois com suas longas madeixas ruivas, a irmã caçula de Dakota Fanning (Elle Fanning) tem todos os holofotes virados para ela. Com uma atuação dosada, com precisão de drama e sorrisos, Ginger encara a realidade de uma possível guerra nuclear (pós Hiroshima e Nagasaki), tornando-se uma ativista desbaratinada que não tem muitas certezas sobre aonde esta se metendo, mas fica pertubada com a possibilidade de acordar em cinzas. Mas a verdadeira revolução acontece na sua cabeça após uma série de "duras" do cotidiano: a separação dos pais, a depressão da mãe, a promiscuidade da melhor amiga que acaba se envolvendo um pouco mais que devia com o recém pai solteiro... uma "pratada" para os amantes de Psicologia. O filme ganha o reforço de Christina Hendricks, Timothy Spall, Annette Bening e Oliver Platt, que vem trazer uma dose de maturidade e que, mesmo sendo papéis muito secundários, são de extrema importância para qualidade do filme. Uma trilha sonora exótica e muito bem escolhida, que varia de Schubert a Little Richard. Esta, que permite bons momentos de Alessandro Nivola, o pai da ruiva. Um personagem extremamente enigmático, que mesmo que você entenda suas ideologias, não deixa de querer que alguém "plante a mão na orelha" do sujeito. Fotografia simples, porém, dramática e fria como deve ser. Em alguns momentos, o fotográfo parece ter recebido de brindes algumas cenas apenas para mostrar seu talento. Cenas perdidas, mas que encaixam perfeitamente no mundo poético de Ginger e da "pra frente" Rosa. Sally Potter dirigiu e escreveu com todo seu sangue britânico correndo nas veias, o que acabou empregando um ritmo lento e uma conclusão morna (sem preconceito com os britânicos, mas vamos combinar que falta um dendê no sangue deles e uma corzinha mais quente no céu de Londres), mas que não deixa de te envolver. Um filme muito bom, mas não excepcional.


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